quinta-feira, 30 de maio de 2013

Olá pessoal,
Posto aqui a leitura recomendada, não obrigatória,  para a atividade desta semana, que é o artigo 24 da Convenção sobre os Direitos para as pessoas com Deficiências. Esse documento, em 2008, ratificou a Convenção sobre os Direitos das pessoas com Deficiências, assinado em 2006, pela ONU, da qual o Brasil    é país membro. Esse artigo aqui postado faz parte de uma edição comentada, que pode ser acessada através do Google. Achei bastante interessante e é mais um instrumento que serve para a nossa luta, como professores, pela real inclusão dos alunos com necessidades especiais. Espero que gostem.  Ao final do artigo, segue a indicação do link para o texto da Convenção, na íntegra.  

CONVENÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS ARTIGO 24
ARTIGO 24 – EDUCAÇÃO
Romeu Kazumi Sassaki
Em 13 de dezembro de 2006, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. No artigo 24, a Convenção trata do “direito à educação”.
A inclusão escolar é o processo de adequação da escola para que todos os alunos possam receber uma educação de qualidade, cada um a partir da realidade com que ele chega à escola, independentemente de raça, etnia, gênero, situação socioeconômica, deficiências etc. É a escola que deve ser capaz de acolher todo tipo de aluno e de lhe oferecer uma educação de qualidade, ou seja, respostas educativas compatíveis com as suas habilidades, necessidades e expectativas. Por sua vez, a integração escolar é o processo tradicional de adequação do aluno às estruturas física, administrativa, curricular, pedagógica e política da escola. A integração trabalha com o pressuposto de que todos os alunos precisam ser capazes de aprender no nível pré-estabelecido pelo sistema de ensino. No caso de alunos com deficiência (intelectual, auditiva, visual, física ou múltipla), a escola comum condicionava a matrícula a uma certa prontidão que somente as escolas especiais (e, em alguns casos, as classes especiais) conseguiriam produzir.
Inspirada no lema do Ano Internacional das Pessoas Deficientes (“Participação Plena e Igualdade”), tão disseminada em 1981, uma pequena parte da sociedade em muitos países começou a tomar algum conhecimento da necessidade de mudar o enfoque de seus esforços. Para que as pessoas com deficiência realmente pudessem ter participação plena e igualdade de oportunidades, seria necessário que não se pensasse tanto em adaptar as pessoas à sociedade e sim em adaptar a sociedade às pessoas. Isto deu início ao surgimento do conceito de inclusão a partir do final da década de 80.
O termo ‘necessidades especiais’ não substitui a palavra ‘deficiência’, como se imagina. A maioria das pessoas com deficiência pode apresentar necessidades especiais (na escola, no trabalho, no transporte etc.), mas nem todas as pessoas com necessidades especiais têm deficiência. As necessidades especiais são decorrentes de condições atípicas como, por exemplo: deficiências, insuficiências orgânicas, transtornos mentais, altas habilidades, experiências de vida marcantes etc. Estas condições podem ser agravadas e/ou resultantes de situações socialmente excludentes (trabalho infantil, prostituição, pobreza ou miséria, desnutrição, saneamento básico precário, abuso sexual, falta de estímulo do ambiente e de escolaridade). Na integração escolar, os alunos com deficiência eram o foco da atenção. Na inclusão escolar, o foco se amplia para os alunos com necessidades especiais (dos quais alguns têm deficiência), já que a inclusão traz para dentro da escola toda a diversidade humana.
A seguir, parágrafos e letras do Artigo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência serão mencionados entre colchetes após os comentários.
Em primeiro lugar, a Convenção defende um sistema educacional inclusivo em todos os níveis [§ 5]. Em suas linhas, percebemos que a educação inclusiva é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino para adequar a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas [§ 2, “a”]. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado no sistema escolar para que ele se torne totalmente acessível [§ 1°; § 2°, “b” e “c”; § 5°]. Isto permite que cada aluno possa aprender mediante seu estilo de aprendizagem e com o uso de todas as suas inteligências [§ 1°, “b”]. Portanto, a escola inclusiva percebe o aluno como um ser único e ajuda-o a aprender como uma pessoa por inteiro [§ 1°, “a”].
Para a Convenção, um dos objetivos da educação é a participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre [§ 1°, “c”; § 3°], o que exige a construção de escolas capazes de garantir o desenvolvimento integral de todos os alunos, sem exceção.
Uma escola em processo de modificação sob o paradigma da inclusão é aquela que adota medidas concretas de acessibilidade [§ 2°, “d” e “e”; § 4°]. Quem deve adotar estas medidas? Professores, alunos, familiares, técnicos, funcionários, demais componentes da comunidade escolar, autoridades, entre outros. Cada uma destas pessoas tem a responsabilidade de contribuir com a sua parte, por menor que seja, para a construção da inclusividade em suas escolas. Exemplos:
Arquitetura. Ajudando a remover barreiras físicas ao redor e dentro da escola, tais como: degraus, buracos e desníveis no chão, pisos escorregadios, portas estreitas, sanitários minúsculos, má iluminação, má ventilação, má localização de móveis e equipamentos etc. [§ 1°; § 2°, “b” e “c”].
Comunicação. Aprendendo o básico da língua de sinais brasileira (Libras) para se comunicar com alunos surdos; entendendo o braile e o sorobã para facilitar o aprendizado de alunos cegos; usando letras em tamanho ampliado para facilitar a leitura para alunos com baixa visão; permitindo o uso de computadores de mesa e/ou notebooks para alunos com
restrições motoras nas mãos; utilizando desenhos, fotos e figuras para facilitar a comunicação para alunos que tenham estilo visual de aprendizagem etc. [§ 3°, “a”, “b” e “c”; § 4°]
Métodos, técnicas e teorias. Aprendendo e aplicando os vários estilos de aprendizagem; aprendendo e aplicando a teoria das inteligências múltiplas; utilizando materiais didáticos adequados às necessidades especiais etc. [§ 1°; § 2°; § 3° e § 4°].
Instrumentos. Adequando a forma como alguns alunos poderão usar o lápis, a caneta, a régua e todos os demais instrumentos de escrita, normalmente utilizados em sala de aula, na biblioteca, na secretaria administrativa, no serviço de reprografia, na lanchonete, na quadra de esportes etc. [§ 3°, “a” e “c”; § 4°]
Programas. Revendo atentamente todos os programas, regulamentos, portarias e normas da escola, a fim de garantir a eliminação de barreiras invisíveis neles contidas, que possam impedir ou dificultar a participação plena de todos os alunos, com ou sem deficiência, na vida escolar [§ 1°].

Atitudes. Participando de atividades de sensibilização e conscientização, promovidas dentro e fora da escola a fim de eliminar preconceitos, estigmas e estereótipos, e estimular a convivência com alunos que tenham as mais diversas características atípicas (deficiência, síndrome, etnia, condição social etc.) para que todos aprendam a evitar comportamentos discriminatórios. Um ambiente escolar (e também familiar, comunitário etc.) que não seja preconceituoso melhora a auto-estima dos alunos e isto contribui para que eles realmente aprendam em menos tempo e com mais alegria, mais motivação, mais cooperação, mais amizade e mais felicidade [§ 4°]. Link  para o  texto integral: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/convencaopessoascomdeficiencia.pdf

terça-feira, 21 de maio de 2013

Resumo do artigo: Concepções de professores sobre inclusão escolar e interações em ambiente inclusivo: uma revisão da literatura


O artigo Concepções de professores sobre inclusão escolar e interações em ambiente inclusivo: uma revisão da literatura relata uma pesquisa sobre  extensa revisão da literatura sobre inclusão escolar, sob a ótica da Psicologia, cujo  objetivo  é verificar o conteúdo de estudos  acerca da interação entre professores e alunos com alguma necessidade educativa especial e acerca de concepções de professores sobre inclusão escolar, bem como  das dificuldades enfrentadas por eles,  diante dos desafios da inclusão desses alunos. O texto menciona os medos e as angústias dos professores, que sentem despreparados, o que por si só, pode representar uma possível barreira a mudanças e, conclui pela necessidade de  trabalhos, na área de formação de professores, com foco na saúde  do professor, como uma forma de otimizar os benefícios da educação inclusiva, para professores e alunos.


videos sobre tecnologias


Videos :Shift happens e Rafinha (5ª semana)

O vídeo Shift happens (com versão em português ‘Você sabia?’) faz uma viagem impressionante sobre a velocidade vertiginosa em que se movimenta o mundo. É um panorama impactante de números (a cada 8 segundos, 34 bebês nascerão), de dados estatísticos cada vez mais crescentes (os novos aprendizes terão de 10 a 14 empregos até completarem 38 anos; mais de 70% das crianças de 4 anos já acessaram um computador nos EUA – são os screenagers ou os digital natives) etc...
Mas esse vídeo traz importantes questionamentos: Como será o mundo para essas crianças que estão chegando agora? Como será daqui a dez anos? Como estamos preparando os nossos jovens de agora, se tudo muda tão rápido? E termina com uma consideração: ‘Estamos preparando estudantes para empregos que ainda não existem! Para resolver problemas que nem sabemos se existem!’ E eu pergunto: como ensinar essa geração web2.0 com uma escola e métodos 1.0? Food for thought.
O vídeo ‘Rafinha’ mostra um jovem de hoje, o nosso aluno do EM: nasceu e vive cercado de tecnologias: computador, I pod, câmera, etc...; não compra CD, baixa música de sites de compartilhamento; no tempo livre está online, no MSN, joga vídeo games, está no blog, fala ao celular...e não é nerd...é multi tarefeiro. Vive conectado.
Definitivamente lidamos hoje, com 30 Rafinhas, em média, em sala de aula, sempre conectados, o tempo todo...
Será que daqui a algum tempo estaremos dando aula de casa, ou em algum outro espaço virtual????



Os desafios e as possibilidades de um curso a distância


Os desafios e as possibilidades de um curso a distância

Com o avanço da tecnologia, diversas  mídias vêm sendo utilizadas na comunicação, dentre elas, a televisão, o computador e o telefone celular, por exemplo. Esse uso vem sendo pouco a pouco sendo também utilizado na área da Educação. Inicialmente, na educação presencial , com aulas com clips, vídeos, por exemplo,  e com o advento e a difusão da Internet, o acesso ao mundo fora da sala de aula se ampliou drasticamente. A possibilidade de ver e ouvir uma notícia ‘em tempo real’ enriqueceu  a ação  pedagógica.  Posteriormente, o uso de tecnologias diferentes, começou a propiciar um outro tipo de educação – à distância, mediada pelo computador, e com o uso da Internet, na modalidade on-line. Nem toda Educação a Distância é na modalidade on-line (ex. pode ser um curso por correspondência, em que o material vem pelo Correio; pode ser um curso pelo rádio, etc...).
Cumpre assinalar que não é pelo fato de um curso ser a Distância, on-line, que ele seja sinônimo de bom. Um curso à distância pode simplesmente reproduzir o ambiente presencial, no que ele tem de  negativo: ser centrado na ‘passagem’ de conteúdos, centralizado no professor, que é o detentor do conhecimento, com pouca ou quase nenhuma interação, pois os alunos se colocam na posição de receptores dos conteúdos. Nesse modelo, estão-se apenas transpondo as metodologias de um campo para outro.
Um bom curso a Distância depende de vários fatores. De uma lado, depende de fatores  humanos – uma boa equipe de professores, coordenadores, supervisores, todos com conhecimento  do assunto,   motivados e que estejam sempre estimulando os seus alunos, instigando-os à participação, bem como de  alunos interessados  e motivados, que estimulem os seus professores a manter a chama acesa do curso, promovendo uma constante interação e uma busca de novos e estimulantes desafios  para eles; de outro lado, um bom curso  depende de uma boa infra estrutura de apoio: salas de aula, recursos, materiais didáticos e de suporte extra classe para os possíveis desdobramentos.  Isso implica montar uma equipe multi-disciplinar, inter-disciplinar, que trabalhe junta. Assim como num curso presencial, um curso a distância necessita criar vínculos, acompanhar a execução das tarefas, ou seja, cobrar o que foi pedido, mas ao mesmo tempo, conhecer as pessoas envolvidas e respeitar seus tempos e ritmos individuais, integrando dessa forma contextos locais e diferenças intelectuais; um bom curso a Distância, não dá vontade de terminar.
Dessa forma, a educação on-line traz bastantes pontos positivos e vantagens para o seu uso, como   a possibilidade de oferecer determinado(s) conhecimento(s) a um maior número de pessoas possível, o que não seria viável num curso presencial e, com isso, uma maior chance de crescimento, através da troca de experiências, de conhecimentos e de culturas diferentes, entre outras coisas; traz a possibilidade da flexibilização do tempo disponibilizado pelo aluno para cumprir as suas tarefas; traz a possibilidade de uso de vários meios telemáticos: Internet, videoconferência, teleconferência, etc...
Todavia, a educação a distância on-line  traz também novas questões pedagógicas que se transformam em desafios, como por exemplo, do lado do professor, aprender a lidar com novas e múltiplas tecnologias; aprender a monitorar o andamento dos conteúdos, mantendo uma atmosfera produtiva, motivada e amistosa entre os participantes do grupo; do lado do aluno,  a flexibilidade traz, em contrapartida, o senso do auto-didatismo, da autonomia  e a responsabilidade do cumprimento das tarefas em tempo hábil.
Por fim, é  importante que os cursos on-line sejam focados na construção de conhecimento, na interação e no equilíbrio entre a participação individual e em grupo. Como estratégias para superar as dificuldades, os alunos devem procurar interagir sempre, considerar suas dúvidas e questionamentos como estímulos a novas descobertas e, sobretudo, não ter medo de  expor suas dúvidas e de buscar novos e estimulantes desdobramentos, num movimento em espiral, ou seja, sempre ascendente, em busca de novos questionamentos e desafios.