PRINCIPAIS
IDEIAS SOBRE ALUNOS COM SURDEZ BASEADAS NO TEXTO “ABORDAGEM BILINGUE NA ESCOLARIZAÇÃO DA PESSOA
COM SURDEZ” DA COLETÂNEA A EDUCAÇÃO
ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR – MEC/SEE/UFC 2010
Há
mais de dois séculos a educação escolar para pessoas com surdez vem sendo
discutida em embates político-pedagógicos entre duas correntes, principalmente:
os gestualistas e os oralistas. Esse debate se reflete não só nas políticas públicas ou nas pesquisas
científicas, mas também nas ações pedagógicas desenvolvidas para a educação
desses sujeitos, seja na escola comum, seja na escola especial. Nesse debate,
muitos teóricos colocam em segundo plano, a inclusão sócio-econômico-cultural
desse sujeito.
No
âmbito das ações pedagógicas, três abordagens são preponderantes: a oralista, a
comunicação total e o bilinguismo.
A
abordagem oralista visa a capacitar a PS para a utilização da língua da
comunidade ouvinte, na sua oralidade. Para isso, é desenvolvida a leitura
labial e através de algum resíduo auditivo, utiliza-se a voz. Essa abordagem
resultou ineficaz, na medida em que não aceita a diferença entre surdos e
ouvintes nem a língua de sinais e foca na visão de reabilitação.
A
comunicação total aceita todo e qualquer recurso para a comunicação – linguagem
gestual-visual, imagens, textos orais, textos escritos e interações sociais. Todavia,
essa abordagem se mostrou também ineficiente, pois esses alunos continuavam
segregados, socialmente excluídos e também não valorizou a língua de sinais.
O bilinguismo visa a capacitar a PS a utilizar duas línguas tanto no cotidiano escolar como
na vida social: a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte. De acordo com pesquisas de Koslowski (1998),
Damázio (2007) e Damázio e Ferreira (2010) essa abordagem atende melhor as
necessidades desse aluno e pode construir um ambiente favorável para a sua
aprendizagem. No bilinguismo a Língua de Sinais é a primeira língua e a Língua
Portuguesa a segunda.
O
Decreto 5.626 de 2005 vem garantir à PS o
direito a uma educação para a sua formação, em que a LIBRAS e a Língua Portuguesa, preferencialmente na
sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução e que o acesso a ambas
as língua aconteça simultaneamente no ambiente escolar.
Dessa
forma, a abordagem bilíngue e a proposta da sua utilização organiza a prática
pedagógica na escola comum, na sala de aula comum e no AEE:
O AEE promove o acesso dos alunos com
surdez ao conhecimento
escolar em duas línguas: em Libras e em Língua
Portuguesa, a
participação ativa nas aulas e o
desenvolvimento do seu potencial
cognitivo, afetivo, social e
linguístico, com os demais colegas da
escola comum. (Coletânea MEC/UFC 2010)
Para
elaborar o plano de AEE deve-se levar em
consideração as habilidades e necessidades educacionais específicas dos alunos
com surdez, bem como as possibilidades e das barreiras que esses alunos encontram
no processo de escolarização. De acordo com Damázio, o AEE envolve três momentos:
o AEE em Libras, o AEE de Libras e o AEE de Língua Portuguesa.
O
AEE em Libras é um trabalho complementar da exploração do trabalho da sala de aula,
em Libras; ele é articulado com o
professor da sala de aula e ocorre no
contraturno.
O
AEE de Libras o aluno se familiariza com a Língua de Sinais e seus aspecto
linguísticos, pois como todas as línguas, a Libras tem suas normas, padrões e
regras próprias. Esse atendimento começa por um diagnóstico do aluno, para
saber o seu grau de conhecimento da língua, é realizado por um professor de
Libras, preferencialmente surdo.
O
AEE de Língua Portuguesa se baseia em três dimensões: o ato de ler, de escrever
e de aprender a gramática (estrutura da língua) e pretende desenvolver a
competência linguística dos alunos com surdez. Esse atendimento se dá na Sala
de Recursos Multifuncionais, no turno oposto, preferencialmente por um
professor com formação em Letras.
Referências:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação
Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 04: Abordagem
Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez.
DAMÁZIO, Mirlene F. M. Tendências Subjacentes à Educação das
Pessoas com Surdez. In: Atendimento Educacional Especializado:
Pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS, 2007. p. 19-21.
DAMÁZIO, Mirlene F. M., ALVES, Carla B. e FERREIRA,
Josimário de P.Educação Escolar de Pessoas com Surdez In AEE: Fascículo 04:
Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez. Fortaleza:
Universidade Federal do Ceará, 2010. p.07-09.
KOSLOWSKI, L. A Proposta bilíngue de educação do surdo. Revista
Espaço. Rio de Janeiro: INES, nº10, p.47-53, dezembro, 1998.