sábado, 29 de março de 2014

PRINCIPAIS IDEIAS SOBRE ALUNOS COM SURDEZ BASEADAS NO TEXTO  “ABORDAGEM BILINGUE NA ESCOLARIZAÇÃO DA PESSOA COM SURDEZ” DA COLETÂNEA  A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR – MEC/SEE/UFC 2010

Há mais de dois séculos a educação escolar para pessoas com surdez vem sendo discutida em embates político-pedagógicos entre duas correntes, principalmente: os gestualistas e os oralistas. Esse debate se reflete não só  nas políticas públicas ou nas pesquisas científicas, mas também nas ações pedagógicas desenvolvidas para a educação desses sujeitos, seja na escola comum, seja na escola especial. Nesse debate, muitos teóricos colocam em segundo plano, a inclusão sócio-econômico-cultural desse sujeito.
No âmbito das ações pedagógicas, três abordagens são preponderantes: a oralista, a comunicação total e o bilinguismo.
A abordagem oralista visa a capacitar a PS para a utilização da língua da comunidade ouvinte, na sua oralidade. Para isso, é desenvolvida a leitura labial e através de algum resíduo auditivo, utiliza-se a voz. Essa abordagem resultou ineficaz, na medida em que não aceita a diferença entre surdos e ouvintes nem a língua de sinais e foca na visão de reabilitação.
A comunicação total aceita todo e qualquer recurso para a comunicação – linguagem gestual-visual, imagens, textos orais, textos escritos e interações sociais. Todavia, essa abordagem se mostrou também ineficiente, pois esses alunos continuavam segregados, socialmente excluídos e também não valorizou a língua de sinais.
O  bilinguismo visa a capacitar a PS a utilizar  duas línguas tanto no cotidiano escolar como na vida social: a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte.  De acordo com pesquisas de Koslowski (1998), Damázio (2007) e Damázio e Ferreira (2010) essa abordagem atende melhor as necessidades desse aluno e pode construir um ambiente favorável para a sua aprendizagem. No bilinguismo a Língua de Sinais é a primeira língua e a Língua Portuguesa a segunda.
O  Decreto 5.626 de 2005 vem garantir à PS o direito a uma educação para a sua formação, em que a LIBRAS  e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução e que o acesso a ambas as língua aconteça simultaneamente no ambiente escolar.
Dessa forma, a abordagem bilíngue e a proposta da sua utilização organiza a prática pedagógica na escola comum, na sala de aula comum e no AEE:

O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento
escolar  em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a
participação ativa nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial
cognitivo, afetivo, social e linguístico, com os demais colegas  da
escola comum. (Coletânea MEC/UFC 2010)

Para elaborar o plano de AEE  deve-se levar em consideração as habilidades e necessidades educacionais específicas dos alunos com surdez, bem como as possibilidades e das barreiras que esses alunos encontram no processo de escolarização. De acordo com Damázio, o AEE envolve três momentos: o AEE em Libras, o AEE de Libras e o AEE de Língua Portuguesa.
O AEE em Libras é um trabalho complementar da exploração do trabalho da sala de aula, em Libras;  ele é articulado com o professor da sala de aula e ocorre  no contraturno.
O AEE de Libras o aluno se familiariza com a Língua de Sinais e seus aspecto linguísticos, pois como todas as línguas, a Libras tem suas normas, padrões e regras próprias. Esse atendimento começa por um diagnóstico do aluno, para saber o seu grau de conhecimento da língua, é realizado por um professor de Libras, preferencialmente surdo.
O AEE de Língua Portuguesa se baseia em três dimensões: o ato de ler, de escrever e de aprender a gramática (estrutura da língua) e pretende desenvolver a competência linguística dos alunos com surdez. Esse atendimento se dá na Sala de Recursos Multifuncionais, no turno oposto, preferencialmente por um professor com formação em Letras.

Referências:

 Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 04: Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez.

DAMÁZIO, Mirlene F. M. Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com SurdezIn: Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS, 2007. p. 19-21.
 

DAMÁZIO, Mirlene F. M., ALVES, Carla B. e FERREIRA, Josimário de P.Educação Escolar de Pessoas com Surdez In AEE: Fascículo 04: Abordagem Bilíngue na Escolarização de Pessoas com Surdez. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. p.07-09. 


KOSLOWSKI, L. A Proposta bilíngue de educação do surdoRevista Espaço. Rio de Janeiro: INES, nº10, p.47-53, dezembro, 1998.